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CNU (Concurso Nacional Unificado): como funciona o 'Enem dos concursos'

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O Concurso Nacional Unificado (CNU), apelidado de “Enem dos concursos”, é uma seleção pública federal centralizada e organizada pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) desde 2023. Em vez de cada órgão abrir um edital próprio, vagas de múltiplos órgãos da União são reunidas em blocos temáticos, e o candidato presta uma única prova com conteúdos comuns ao bloco mais conteúdos específicos por órgão. A primeira edição (CNU 1) foi aplicada pela Cesgranrio em 2024 com 6.640 vagas imediatas em 21 órgãos. A segunda edição (CNU 2) foi aplicada pela FGV em 2025 com 3.652 vagas em 32 órgãos. Há a expectativa de o CNU virar um certame regular do governo federal.

O que é o CNU e por que existe

O CNU é uma iniciativa do governo federal de 2023 para centralizar e padronizar a seleção de servidores em diversas carreiras da União. A proposta partiu do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), recriado em 1º de janeiro de 2023 com a posse do governo Lula. O MGI retomou funções do antigo MARE (Ministério da Administração Federal e Reforma do Estado), criado em 1995 e extinto em 1999.

A motivação tem três eixos:

  • Ampliar acesso geográfico. Em concursos federais tradicionais, a prova costuma ser aplicada em poucas cidades, geralmente capitais. O CNU prevê aplicação em centenas de municípios para reduzir o custo do deslocamento. A CNU 1 foi aplicada em 228 municípios em 2024.
  • Reduzir o intervalo entre concursos. Cada órgão federal abre concurso conforme autorização orçamentária própria. Centralizar permite que o governo programe um certame por ano e absorva a demanda de várias carreiras de uma vez.
  • Diminuir o custo de inscrição por candidato. Como o candidato pode disputar vagas de vários órgãos com uma única prova (dentro de um bloco temático), uma única taxa de inscrição pode render várias chances de aprovação.

Por essas características, a imprensa apelidou o CNU de “Enem dos concursos”, em analogia ao Exame Nacional do Ensino Médio que substituiu vestibulares específicos de várias universidades.

CNU 1 (2024): a primeira edição

A primeira edição foi anunciada em junho de 2023 pela ministra Esther Dweck, em coletiva interrompida por um telefonema do presidente Lula. O edital saiu em 2024, com a seguinte estrutura:

  • Banca organizadora: Fundação Cesgranrio
  • Vagas: 6.640 imediatas, mais cadastro de reserva, para 21 órgãos da União
  • Inscritos: cerca de 1 milhão de candidatos
  • Blocos temáticos: 8, agrupando carreiras por área de atuação
  • Aplicação: 18 de agosto de 2024 (adiada de maio para acomodar o impacto das enchentes no Rio Grande do Sul)
  • Cidades: 228 municípios em todo o país
  • Resultados finais: divulgados em 28 de fevereiro de 2025

Distribuição parcial das vagas por bloco temático (CNU 1):

  1. Administração e Finanças Públicas — 744 vagas
  2. Setores Econômicos, Infraestrutura e Regulação — 580 vagas
  3. Agricultura, Meio Ambiente e Desenvolvimento Agrário — 538 vagas
  4. Educação, Ciência, Tecnologia e Inovação — 971 vagas
  5. Políticas Sociais, Justiça e Saúde — 1.008 vagas

Os demais blocos cobriram áreas como engenharia, controle externo, comunicação e nível médio. Para o detalhamento completo dos blocos 6, 7 e 8 e a distribuição por órgão, consulte o portal do MGI.

CNU 2 (2025/2026): a segunda edição

A segunda edição teve a Fundação Getulio Vargas (FGV) como banca organizadora, vencedora da licitação anunciada em junho de 2025. A estrutura:

  • Banca organizadora: Fundação Getulio Vargas (FGV)
  • Vagas: 3.652 totais — 3.144 de nível superior e 508 de nível intermediário
  • Órgãos: 32 órgãos e entidades da União
  • Blocos temáticos: 9 (um a mais que o CNU 1)
  • Inscrições: 2 a 20 de julho de 2025
  • Provas objetivas: 5 de outubro de 2025
  • Provas discursivas (segunda fase): 7 de dezembro de 2025
  • Classificação após discursiva: 42,5 mil candidatos classificados para a segunda fase
  • Resultado final: 13 de março de 2026 (após 3ª confirmação de interesse)
  • Primeira convocação: 3.651 aprovados convocados em março de 2026, com prazo curto para confirmar interesse

A FGV manteve o seu estilo característico nas provas: múltipla escolha com cinco alternativas, enunciados longos e interpretativos. Para entender o estilo da banca em detalhe, veja como funciona a banca FGV.

Diferenças em relação ao concurso federal tradicional

Um concurso federal tradicional (Polícia Federal, Receita Federal, INSS, AGU) abre edital próprio, com banca contratada pelo órgão e prova focada exclusivamente naquele cargo. O CNU muda quatro pontos importantes:

AspectoFederal tradicionalCNU
EditalPor órgãoÚnico, agregando vários órgãos por bloco temático
ProvaEspecífica do cargoComum ao bloco + específica por órgão
Cidades de aplicaçãoPoucas (capitais)Centenas de municípios
InscriçãoUma taxa por concursoUma taxa para disputar vários órgãos do bloco
CalendárioQuando o órgão autorizaProgramado pelo MGI, idealmente anual
BancaCada órgão escolheUma para todo o certame
Cargos cobertosRestrito ao órgãoVários órgãos federais por edição

A consequência prática para o candidato é que uma única preparação dentro de um bloco temático abre chances em vários órgãos, e a aprovação leva à escolha de cargo conforme a classificação dentro do bloco. Em compensação, o conteúdo específico de cada cargo entra com peso menor que em um concurso dedicado.

Como funcionam os blocos temáticos

Os blocos temáticos agrupam carreiras por área de atuação. Cada bloco tem:

  • Disciplinas comuns: conteúdo cobrado de todos os candidatos do bloco (Português, Raciocínio Lógico, Direito Constitucional, Administrativo, Atualidades, conforme o caso).
  • Disciplinas específicas: conteúdo de cada cargo dentro do bloco. Um candidato ao Bloco 1 (Administração e Finanças) pode se preparar para o conteúdo comum + o específico do cargo de Analista da Receita ou de Auditor do TCU, conforme os órgãos do bloco em cada edição.

Na hora da inscrição, o candidato escolhe o bloco e os cargos específicos dentro dele para os quais quer concorrer. A prova é a mesma para todos do bloco; a classificação por cargo se faz pela ordem de pontuação combinada com a escolha do candidato.

A estratégia típica é estudar com foco no bloco escolhido e priorizar dentro dele os cargos com melhor combinação de salário, concorrência e afinidade pessoal.

Etapas da prova

A estrutura padrão do CNU tem duas fases:

Prova objetiva (primeira fase): aplicada em data única em todo o país. Múltipla escolha com cinco alternativas (no caso do CNU 1 Cesgranrio e do CNU 2 FGV) sem penalidade por erro. Disciplinas comuns ao bloco + específicas do cargo, conforme matriz publicada no edital.

Prova discursiva (segunda fase): aplicada apenas para os classificados na primeira fase, conforme nota de corte. Tem caráter eliminatório e classificatório, com peso significativo na nota final. No CNU 2, 42,5 mil candidatos foram classificados para a discursiva.

Curso de formação: alguns cargos (especialmente carreiras de Estado e diplomatas) podem incluir uma terceira etapa de curso de formação obrigatório, com avaliação adicional. Confira o edital específico para saber se o cargo escolhido inclui esse passo.

A pontuação final consolida as notas das fases conforme os pesos definidos no edital, e a classificação é montada por cargo dentro do bloco. Em seguida vêm as confirmações de interesse, em que o candidato manifesta vontade de assumir a vaga concreta oferecida.

Como se preparar para o CNU

A preparação para o CNU é parecida com a de outros concursos federais, com três especificidades:

Escolha estratégica do bloco. Avaliar antes da inscrição em qual bloco o candidato tem maior chance pela combinação de afinidade com o conteúdo, concorrência observada na edição anterior e oferta de vagas. Para quem está começando, o guia de leitura do edital ajuda a entender a estrutura.

Conteúdo comum + específico. Como a prova mistura matérias gerais do bloco com matérias do cargo, é preciso estudar nos dois fronts. A maioria dos cursinhos prepara trilhas específicas por bloco do CNU.

Discursiva e curso de formação. Não basta passar na objetiva. A discursiva tem peso suficiente para mudar a classificação, e em alguns cargos o curso de formação ainda elimina. Treinar redação técnica é parte do plano de estudos. Veja prova objetiva vs prova discursiva para detalhes do treino.

Cursinhos como Gran Cursos, Estratégia Concursos e Direção Concursos costumam ter trilhas específicas para cada bloco do CNU, com simulados nos moldes da banca da edição corrente (Cesgranrio em 2024, FGV em 2025/2026).

Futuro do CNU

A intenção declarada do MGI é tornar o CNU um certame anual ou bienal regular. Os primeiros dois ciclos mostraram que o modelo é viável na prática, com ajustes entre as edições:

  • O CNU 1 (2024) testou a logística de aplicação em centenas de municípios e o agrupamento por blocos.
  • O CNU 2 (2025) ampliou o número de órgãos (21 → 32) e ajustou os blocos (8 → 9).
  • A discursiva passou a ter prova separada em data própria, aplicada pela FGV em dezembro de 2025.

A continuidade depende de autorização orçamentária e de manutenção da prioridade política do certame. Acompanhar o portal do MGI (gov.br/gestao) e os canais oficiais das bancas é a forma de saber quando o próximo edital sai.

Perguntas frequentes

Posso me inscrever em mais de um bloco temático?

Em geral, não no mesmo certame. A regra padrão do CNU é uma inscrição por candidato, com escolha de um único bloco e dos cargos dentro dele. Confira o edital específico, porque o desenho pode mudar entre edições.

A nota de corte é a mesma para todos os cargos do bloco?

Não. Cada cargo tem nota de corte própria, definida pela ordem de classificação e pelo número de vagas previstas. O candidato pode atender ao corte de um cargo do bloco e não atender ao de outro mais concorrido.

Quem reprovou no CNU 1 pode prestar o CNU 2?

Sim. Não há vedação entre edições. Cada CNU é um certame independente, com edital próprio.

O CNU substitui os concursos tradicionais dos órgãos?

Por enquanto, não substitui. Alguns órgãos passaram a usar o CNU como única via (ou predominante) de provimento; outros continuam abrindo concursos próprios em paralelo. A Receita Federal, por exemplo, manteve concurso próprio em 2022 (banca FGV, 699 vagas para Auditor-Fiscal e Analista-Tributário), à parte do CNU. Confira sempre o edital específico do órgão que você quer.

A banca do próximo CNU já está definida?

Cada edição tem licitação própria. O CNU 1 foi Cesgranrio, o CNU 2 foi FGV. A banca da próxima edição será definida em nova licitação organizada pelo MGI, em data ainda a ser anunciada.

O CNU pode mudar de estrutura em edições futuras?

Pode. O modelo está em evolução. O CNU 2 já ampliou de 8 para 9 blocos temáticos e ajustou critérios em relação ao CNU 1. Ler o edital de cada edição com atenção é essencial — não basta confiar no que valeu na edição anterior.

O resultado do CNU 1 já foi inteiramente convocado?

A maior parte das vagas foi convocada ao longo de 2025. Casos pontuais podem se estender ainda, conforme a abertura de novas vagas em cada órgão. O prazo de validade do concurso (em regra 2 anos, prorrogável por mais 2, conforme CF art. 37 III) define até quando o cadastro de reserva pode ser chamado.

Veja também

Confira a lista de concursos abertos hoje e a seção de concursos federais, em que o CNU está entre os principais certames. Para entender as bancas que aplicaram as duas edições, veja como funciona a banca FGV (CNU 2). Antes de qualquer inscrição, leia o guia de leitura do edital e o detalhamento sobre classificação final do concurso. Para quem está começando, vale o guia de preparação para concurso para iniciantes.

Fontes

  • Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) — portal oficial gov.br/gestao/concursonacional, com editais, calendários e resultados.
  • Edital de abertura do Concurso Nacional Unificado 2025 (CNU 2), publicado pela FGV em 30 de junho de 2025.
  • Resultados oficiais do CNU 1 (Fundação Cesgranrio) e CNU 2 (FGV Conhecimento), consultados em 2025-2026.
  • Constituição Federal de 1988, art. 37, III — prazo de validade do concurso público.
  • Lei 8.112/1990 — regime jurídico dos servidores públicos civis da União.

Como mantemos esta página

  • Os editais, prazos, vagas e taxas vêm das fontes oficiais: portais dos órgãos contratantes, Diário Oficial da União e dos estados, agregadores reconhecidos (JC Concursos, Folha Dirigida). A coleta é automatizada e versionada; cada atualização fica registrada.
  • Quando um edital é alterado (prorrogação de inscrição, retificação de cronograma, adendo), a página reflete a mudança no próximo ciclo de coleta. O link para o PDF oficial fica visível no rodapé desta página.
  • Os salários por cargo são extraídos do anexo do edital ou da última publicação oficial do órgão. Quando há reajuste recente, citamos a base legal (lei, decreto ou ata).
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Esta página é uma referência. Antes de fazer a inscrição, confira sempre o edital oficial publicado pelo órgão organizador (link no rodapé). Datas, vagas e requisitos podem ser alterados por retificação a qualquer momento.

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